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quarta-feira, setembro 19, 2007

As saudades e as relações do século XXI

O século XXI começa a ficar marcado pelo egoísmo com que as pessoas vivem as suas relações. O "eu" está no centro de tudo, e ai de quem aja em sentido contrário. Muitos atribuem a culpa disso à tecnologia, referindo que estas levam o ser humano a isolar-se mais e a partir daí se desenvolve a "frieza" e independência com que pautam a sua forma de estar hoje em dia.
Um grande exemplo do que acabei de referir acontece-me com alguma regularidade. Quantas não são as vezes em que encontro alguém que já não via há algum tempo, ou que sou surpreendido com telefonemas de pessoas com quem já não falava há imenso tempo e a conversa resume-se a mais ou menos isto:
- Olá! Estás bom? Que é feito? Estava a ligar-te porque já não falávamos há muito e só queria saber de ti! Já tenho saudades dos belos tempos em que estávamos mais vezes juntos (alguns ainda dizem "em que a malta se juntava"). Então como vai a tua vida?
- Pois é. Realmente. Sim, estou bom. Agora estou a fazer x... E contigo? Tudo bem?
- Sim, estou muito bem também. Eu... bla bla bla
(monólogo ininterrupto durante pelo menos meia-hora)
- Pois, por acaso eu...
(interrupção abrupta)
- Ah sim, mas olha que eu x, y, z... bla bla bla
A conversa termina com um:
- Epá, gostei bastante de falar contigo! Deu para matar saudades daqueles belos tempos!

Pergunto: que saudades é que se mataram? Que vontade de saber de mim era essa, cuja curiosidade se esfumou ao fim de 30 segundos, quando terminei as minhas três curtas frases e me obrigou a gramar com um monólogo de um egoísmo impressionante?

Dou outro exemplo. Há cerca de três anos conheci uma tipa, na casa dos vinte e muitos, bastante gira e aparentemente interessante, numa hora que não interessa, num local que também não interessa, mas que garanto não ter sido em nenhuma casa de diversão nocturna. Depois de uma abordagem e de alguns contactos telefónicos, decidimos ir à praia juntos! Juro-vos que a estadia na praia se iniciou perto das 14h, e terminou cerca das 19h e a conversa foi esta:
- Olá! Tudo bem?
- Tudo e contigo?
- Tudo óptimo. É bom conhecer uma pessoa simpática como tu, sobretudo depois dos ex-namorados que já tive...
- Mas eu ainda não sou teu namorado, nem ando contigo...
- Pois, mas mesmo assim, as relações que tive até hoje... bla bla bla
(uma hora e picos de monólogo)
- Exacto... compreendo... mas...
(interrupção por parte da menina)
- Sim, mas aquele meu ex-namorado era x, y, z... bla bla bla bla bla
(não houve mais tentativas da minha parte de estabelecer um diálogo e foi assim até ao fim)
- E o que ele me fez sofrer e passar... logo eu que lhe dei tanto de mim... espero que não sejas assim...
- Não me parece...
- Ainda bem, até porque ele... bla bla bla... e o outro... bla bla bla
(ainda surgiu uma variação no tema de conversa)
- Acho que estou a ficar gorda, não achas? Os homens dizem que eu sou gira, mas não acredito muito nisso...
(apesar de ter tido vontade de lhe dizer "sim, realmente és boa todos os dias!", entendi não lhe satisfazer o capricho)
- Bem, se eu fosse a ti começava a ter alguns cuidados. Não que estejas muito mal, mas... convém não arriscar muito mais...
- Achas? Vê lá que eu tento convencer-me que estou bem, mas depois do que o X me fez... bla bla bla...
(vira o disco e toca o mesmo)

No final, ao fazermos o caminho de regresso até ao ponto de encontro inicial, a menina despede-se de mim da seguinte forma e com um olhar terno:
- Sabes... gostei muito do dia de hoje. Estou a gostar bastante de te conhecer... bastante mesmo...

Seguiu-se um elevado número de mensagens da parte dela, e um adiar de second date da minha parte, até que a menina acabou por desistir, afirmando ter captado a mensagem.
Ainda assim, o mais importante a reter daqui foi a parte final do encontro. Raios... o que é que ela pode dizer que ficou a conhecer de mim naquelas horas todas que ali passei a ouvi-la?
Quem fala dela e dos exemplos que aqui dei, fala de qualquer outra pessoa. É impressionante como as pessoas hoje em dia se enchem de saudades e de vontade de nos conhecer, mas depois nada fazem nesse sentido. Pelo contrário, hoje em dia "matar saudades de alguém", ou "conhecer melhor alguém", começa a ser sinónimo de "deixa-me falar de mim a alguém"... é a independência, a frieza e, acima de tudo, o egoísmo com que temos que lidar no século XXI...

quarta-feira, setembro 05, 2007

A (possível) beleza da vida

Por vezes sentimos vontade de desistir de tudo, de desaparecer, até mesmo de morrermos. Isto acontece quando a presente situação nos é adversa e não vemos possibilidades de vir a melhorar. Como mortal que sou, tal também me acontece: olhar para todos os lados e não ver solução à vista, faz com que tenhamos que ter algum sangue frio, ou o desespero pode levar-nos a situações que não nos permitirão estar cá para "uma segunda oportunidade".
A (possível) beleza da vida surge quando estamos numa destas situações, sem solução possível e em pleno desespero, e subitamente surge algo inesperado, que imediatamente nos dá, não só uma luz ao fundo do túnel, como uma luz que ilumina tudo à nossa volta. É a tal frase "a cada segundo que passa, tudo muda". Vemos isso em várias situações da vida, desde que as mesmas sejam adversas: no meio do desespero, do abismo, surge um milagre. Certamente já aconteceu a todos os que me lêem. No meio de tanta escuridão, surge, sabe-se lá de onde, a iluminação que nos vai dar outra perspectiva das coisas.
Também há o oposto. Tudo nos corre bem agora, mas subitamente desmorona-se, qual baralho de cartas após ser vítima de uma corrente de ar. Se entrarmos em paranóia, vamos deixar as cartas ali, vamos cruzar os braços e deixar tudo como está. Mas a (possível) beleza da vida dá-nos a oportunidade de optar pelo que acabei de escrever, ou de poder fechar a janela e voltar a construir o castelo de baralho de cartas, sem que desta feita alguma rajada de vento perturbe este nosso "empreendimento". A segunda oportunidade é-nos dada se não cruzarmos os braços, ainda que não acreditemos. É preferível tentar, mesmo que não vejamos solução, mas tentar até ao fim, do que desistirmos, alucinarmos e não ver "como será se". Não custa nada. A situação já é adversa, já temos tudo perdido, então porque não tentar a opção "all in" como se estivessemos num jogo de poker? Porquê desistir? Se temos escassos segundos de jogo para tentar fazer um remate à baliza, e quem sabe um golo, mesmo estando a perder por muitos, porquê trocar a bola e rendermo-nos à realidade? Há que tentar até ao último suspiro, pois só assim saberemos o que se segue ao "como será se...".
Outra (possível) beleza da vida é aquela que surge da nossa... vida, a partir do momento em que nascemos. A vida é, realmente, um jogo. Nós somos peças. Sempre ouvi isto e é a pura verdade. Analisemos um jogo, seja ele qual for: cartas, xadrez, futebol, etc. Nas cartas, se jogarmos um determinado naipe, o nosso adversário irá reagir de uma determinada forma, o nosso parceiro (se o houver) também, etc. Mas se jogarmos outro naipe diferente, a situação será outra. Num jogo de futebol é a mesma coisa: se atacarmos pelo flanco esquerdo, o nosso adversário defenderá esse flanco. Se atacarmos pela direita, ele defenderá esse lado. Se formos pelo meio, vai formar um bloco que impeça o nosso ataque. Se fizermos um passe para desmarcar o nosso avançado, ele vai ter que correr e criaremos uma oportunidade de golo. Se quisermos deixar a bola cá atrás, a equipa adversária tentará pressionar-nos e não criaremos oportunidades de golo. Na vida as coisas são semelhantes. Dou um exemplo: estou no metro, sozinho, e entra uma bela mulher na mesma carruagem onde me encontro. Tenho duas hipóteses: fingir que nada se passa e lidar com a situação de forma indiferente, ou poder aproximar-me dela e contactar com ela. Se lhe perguntar só as horas, nunca se sabe se mal ela veja as horas de repente se lembra de algo que tem que fazer e a minha simples acção desencadeou uma série de outras acções na esfera de alguém (ela). Se tentar travar conhecimento com ela, conversar, sair, etc, poderei desencadear uma série de outras acções e acontecimentos na vida dela e até na minha. Ficando quieto, posso fazer com que se desencadeiem outros acontecimentos diversos. Não há aqui probabilidades. O engraçado da vida é isso mesmo: as probabilidades repartem-se em partes iguais entre todas as hipóteses que temos de fazer algo.
A (possível) beleza da vida encontra-se nisto tudo que acabei de dizer: um "se" pode mudar uma vida, pode mudar duas, pode mudar várias. Tal como nós mexemos as peças dos vários jogos em que intervimos, podemos mexer com a nossa vida e com a dos outros. E, mais uma vez, "a (possível) beleza da vida" entra nisso mesmo: um simples passo para a direita pode mudar tanto ou mais do que qualquer outra coisa aparentemente mais complexa. Digam lá se a vida não pode ser bela?

A imagem que aqui inseri é da autoria de René Magritte, um dos meus pintores preferidos.