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quarta-feira, agosto 30, 2006

Helen Keller

Nasceu a 27 de Junho 1880 no Alabama e faleceu a 1 de Junho de 1968. Helen Keller ficou na história por ter contraído de pequena uma febre cerebral (hoje desconfia-se que era escarlatina ou meningite), da qual resultaram cegueira e surdez e de isso nunca ter sido impeditivo de ter uma vida como qualquer outra pessoa. Com 6 anos de idade, contrataram a professora Anne Mansfield Sullivan para lhe ensinar o braile e a linguagem de sinais. 4 anos depois, Helen Keller aprendeu a falar. Em 1900 entrou na Universidade onde se conseguiu bacharelar com louvor em Filosofia, em 1904. Helen Keller pôde contar sempre com Anne Sullivan do seu lado para a ajudar a compreender textos, conversações e debates na faculdade. Em 1924 fundou o Fundo de Dedicação Helen Keller e juntou-se à American Foundation for the Blind como conselheira para as relações nacionais e internacionais. Em Junho de 1925, Keller discursou na Convenção Internacional do Lions Clubs, realizada em Ohio. Desafiou os Leões a tornarem-se "paladinos dos deficientes visuais na cruzada contra a escuridão". Tornou-se conselheira para as relações internacionais da American Foundation for Overseas Blind e visitou 35 países. O filme que relata a sua vida, foi vencedor do Oscar de melhor documentário, em 1955. A sua última aparição em público, ocorreu em 1961 para receber o Prémio Humanitário Lions, por uma vida inteira de dedicação.
Faleceu em 1968 enquanto dormia. Durante toda a sua vida foi uma escritora bastante popular, activista e filosofa. Ainda se queixam muitos de uma simples dor de cabeça. Meus amigos... "impossible is nothing".

terça-feira, agosto 29, 2006

Faz Hoje 40 Anos

Faz hoje 40 anos que o mais lendário grupo de todos os tempos deu o seu último concerto. Foi em S. Francisco. Depois deste concerto, foi o fim dos Beatles, mas não foi o fim do mito. Ainda hoje mobilizam fãs e gerações para qualquer evento que se relacione com eles.

Para que ninguém morra na ignorância - A Mocidade Portuguesa

Este era o estandarte da Mocidade Portuguesa
Acho que o conhecimento é algo que não pode faltar às pessoas. Quer concordem, quer não concordem com as coisas, todos devemos conhecê-las. Deve fazer parte da nossa cultura e dos nossos conhecimentos. Depois, poderemos debatê-las à vontade. A Mocidade Portuguesa era uma organização juvenil que procurava desenvolver o culto do chefe e o espírito militar, ao serviço do Estado Novo. A ela deveriam pertencer, obrigatoriamente, os jovens dos sete aos catorze anos. A mocidade portuguesa foi criada em 19 de Maio de 1936. O desporto era fundamental devido à disciplina que implica. Esta instituição Juvenil encontrava-se dividida por quatro escalões estários: os lusitos (dos 7 aos 10 anos), os infantes (dos 10 aos 14 anos), os vanguardistas (dos 14 aos 17 anos) e os cadetes (dos 17 aos 25 anos). O primeiro comissário Nacional a dirigir a Mocidade Portuguesa foi Francisco José Nobre Guedes. Em Dezembro de 1937 formou-se a Mocidade Portuguesa feminina. Os seus objectivos, de acordo com a ideologia do Estado Novo, era formar uma nova mulher, boa católica, futura mãe e esposa obediente. Mas, a partir de 1971, a Mocidade Portuguesa foi perdendo importância, sendo extinta após o 25 de Abril de 1974.
fonte: wikipédia

domingo, agosto 27, 2006

Mensagem do dia

"O guerreiro da luz nunca esquece o velho ditado:
O bom cabrito não berra.
As injustiças acontecem.
Também ele de repente se vê envolvido em situações que não merecia, em momentos que não tem condições de se defender.
Nestas horas, o guerreiro fica em silêncio.
Não gasta energia em palavras, porque elas não podem fazer nada; é melhor usar as forças para resistir, ter paciência, e saber que Alguém está olhando.
Alguém que viu o sofrimento injusto, e não se conforma com isto.
Este Alguém dá ao guerreiro o que ele mais precisa: Tempo.
Cedo ou tarde, tudo voltará a tabalhar a seu favor.
Um guerreiro da luz é sábio;
Não comenta suas derrotas.

Um guerreiro da luz, depois que cumpre seu dever e transforma sua intenção em gesto, não precisa temer mais nada: ele fez o que devia.
Não se deixou paralisar pelo medo – mesmo que a flecha não atinja o alvo, ele terá outra oportunidade, porque não foi covarde."

(Manual do Guerreiro da Luz - Paulo Coelho)

sábado, agosto 26, 2006

O que foi "A Perestroika"?

A Perestroika foi, em conjunto com a Glasnost, uma das políticas introduzidas na União Soviética por Mikhail Gorbachev, em 1985. A palavra perestroika, que literamente significa reconstrução, ganhou a conotação de "reestruturação económica". Gorbachev percebeu que a economia da União Soviética estava a falhar e sentiu que o sistema socialista, apesar de não ter de ser substituído, certamente necessitava de uma reforma, e isto seria levado a cabo pelo processo da perestroika. Uma chave principal da perestroika era reduzir a quantidade de dinheiro gasta na defesa nacional, e para fazer isso Gorbachev sentiu que a União Soviética deveria desocupar o Afeganistão; negociar com os Estados Unidos da América a redução de armamento; não interferir noutros países comunistas (A Doutrina Sinatra).
Em contraste com as reformas económicas da República Popular da China, a perestroika é largamente avaliada como tendo falhado no seu objectivo principal de reestruturar a economia soviética. Uma das razões citadas para esse fracasso foi o insucesso na promoção da criação de entidades económicas privadas e semi-privadas e a indisposição de Gorbachev em relação a uma reforma na agricultura soviética. Outra possível razão seria a má vontade dos altos oficiais do Partido Comunista da União Soviética (a linha dura) e da facção liberal apoiada pelos EUA e que tinha como principal líder Boris Yeltsin em aceitar as medidas da Perestroika. Enquanto os primeiros não queriam mudanças, os últimos queriam que elas acontecessem mais rapidamente. Isso gerou forte oposição ao projeto da Perestroika. A perestroika não só falhou o propósito de trazer benefícios económicos imediatos para a maioria das pessoas, mas o desmantelar da economia planeada criou o caos económico, o que constituiu um factor importante para o colapso da União Soviética.

fonte: wikipédia

Mais um e-mail

Recebi mais um e-mail cujo conteúdo estava relacionado com o meu blogue. Dizia assim: "Não sei quem é que acha grande coisa o que tu escreves. Aquilo que tu escreves, qualquer um era capaz de escrever".

Resposta: "Pois, de facto, qualquer um era capaz de escrever o que eu escrevo. Mas o que acontece é que fui eu que me lembrei e escrevi, porque mais ninguém se lembrou".

terça-feira, agosto 22, 2006

Não estrague o seu dia!

  • A sua irritação não solucionará problema algum;
  • As suas contrariedades não alteram a natureza dos factos;
  • O seu mau humor não modifica a vida;
  • Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o Universo pode fazer;
  • A sua dor não vai impedir o sol de brilhar amanhã sobre os bons e sobre os maus;
  • A sua tristeza não iluminará o seu caminho;
  • O seu desânimo não edificará ninguém.

domingo, agosto 20, 2006

A Bandeira Nacional

As 5 quinas simbolizam os 5 reis mouros que D. Afonso Henriques venceu na batalha de Ourique. Os pontos dentro das quinas representam as 5 chagas de Cristo. Diz-se que na batalha de Ourique, Jesus Cristo crucificado apareceu a D. Afonso Henriques, e disse: "Com este sinal, vencerás!". Contando as chagas e duplicando as chagas da quina do meio, perfaz-se a soma de 30, representando os 30 dinheiros que Judas recebeu por ter traído Cristo. Os 7 castelos simbolizam as localidades fortificadas que D. Afonso Henriques conquistou aos Mouros. A esfera armilar simboliza o mundo que os navegadores portugueses descobriram nos séculos XV e XVI e os povos com quem trocaram ideias e comércio. O verde simboliza a esperança. O vermelho simboliza a coragem e o sangue dos Portugueses mortos em combate. 2/5 da bandeira são verdes e os restantes 3/5 de vermelho.

sábado, agosto 19, 2006

Mudanças...

Espero que gostem do novo header do blog. Deu trabalho, mas lá me aventurei no Photoshop, inventei e deu nisto!

O Dinheiro não traz felicidade?

Quem disse que o dinheiro não traz felicidade? Claro que traz! Acabei de ver, há instantes, uma festa de aniversário de um miúdo que completava 15 anos e tinha a sua bruta mansão com camelos, tigres, cantores famosos e gastou mais de 300.000 euros nessa festa, e foi-lhe dado de aniversário um Mercedes que custava cerca de 110.000 dólares. Ele anda recheado de jóias, faz férias onde quer, tem as miúdas que quer (e acreditem que ele é feio todos os dias) e tem todas as portas abertas. Minutos mais tarde (reparem na coincidência), estava a dar na SIC Notícias um documentário sobre adolescentes pobres, a forma como elas crescem. E, os próprios psicólogos e os pais confirmavam que, realmente, sem dinheiro, a vida das pessoas torna-se enfadonha, aborrecida, depressiva, porque não têm acesso às coisas que qualquer outra pessoa teria.
Ora, eu acredito que o dinheiro traz mesmo felicidade. Acontece que, se estiver nas mãos de irresponsáveis, de pessoas sem cabeça, o dinheiro acaba por ser uma maldição. Mas a culpa não é do dinheiro, é das pessoas! Ora, o mesmo acontece com a bebida. Se eu beber um copo de vinho, não há problema. Mas se eu beber 20 copos já há. Se eu for a um Casino e colocar apenas 1 ou duas fichas apenas por gracinha ou desporto, não há mal nenhum nisso. Mas, se estoirar todo o meu dinheiro no Casino, então temos um problema. E quem diz isto, diz tudo nesta vida. Tudo o que é feito sem cabecinha e sem responsabilidade, dá sarilho. Por isso, não digam que a culpa é do dinheiro e que não traz felicidade, porque traz! A culpa é de quem não lhe sabe dar bom uso e coloca as culpas no agente errado.
Vejo tudo à minha volta, vejo a minha vida e vejo que sempre fui pobre. Nunca tive portas abertas. Já andei a mendigar por um par de ténis. Já tive que esperar para fazer anos, para poder comprar uma peça de roupa que custasse 20 euros, porque até lá não tinha hipótese. Nunca consegui andar minimamente na moda, até certa idade, porque os meus pais não tinham como poder pagar isso. Já me senti excluído por isso mesmo, porque não estava na moda, não estava actualizado e tudo o que tinha eram umas calças com alguns anos ou um fato de treino. Já estive assim! Hoje já não é tanto assim. O patamar já subiu, derivado de ter trabalhado arduamente para contrariar minimamente essa situação. Tive que estudar para não comer migalhas, mas conseguir comer pelo menos o pão do dia anterior. Pode não ser o melhor, mas dá para encher a barriga. Nunca tive um carro. Nunca me ofereceram um carro. Estou longe de ser classe média e o meu passado é tão "rico" que a minha ambição é um dia chegar à classe média. É, meus amigos, morar num bairro social e ser-se pobre tem destas coisas: portas fechadas. A culpa não é das pessoas. A culpa não é de ninguém. Se algum dos meus pais tivesse sido mandrião ou preguiçoso, a culpa seria de um deles. Mas não. Sei que sempre deram o litro. A ironia do destino é mesmo essa. Quanto mais pobre se é, mais se trabalha. Quanto mais rico se é, mais fácil se torna a vida. Não me lixem que a vida de quadros directivos, entre outros, é difícil, porque não andam ali a acartar todos os dias com baldes de cimento, ou a fazer limpezas em casas e prédios quase 24hrs por dia. O cansaço é mental, mas com os momentos de lazer relaxam e descansam. Se não acontece assim, lá está, estamos perante gente sem cabeça que não sabe aproveitar o que tem.
O dinheiro abre portas. Abre um mundo novo. A pobreza tem as portas fechadas. Sim, o dinheiro traz felicidade e ando eu aqui a procurar um trabalho onde nos dão uma esmola, e sei que bem aqui perto de mim há gente na Quinta da Marinha que passa os dias a jogar golfe e a andar por aí com os seus Ferraris, ou a dar umas braçadas na sua vivenda de 3 milhões de euros com uma piscina olímpica. Não me lixem... o dinheiro traz felicidade, sim. Se não têm cabeça para o gastar, dêem-mo a mim que o pouco que tive sempre foi porque conquistei (a bem ou a mal), caso contrário nem para sobreviver daria.
Enquanto não tenho um trabalho onde ganhe minimamente para me poder dar ao luxo de "algumas loucuras" como "pagar uma prestação de 200€ (ena, perdi a cabeça) de um carro", ou "pagar uma prestação de 500€ (que fortunaaaaaaaaa) de uma casa (um T1 na Picheleira)", resta-me o sonho, como qualquer pobre (e até de alguns ricos) que se preze, de me sair um dia o Euromilhões, ou de subir na vida pelo próprio mérito. Mas até essas portas por vezes são fechadas, porque como pobre que sou, não exerço qualquer influência sobre ninguém, e quem é beneficiado é sempre o filho do patrão, ou o sobrinho do vizinho do patrão, ou o neto do amigo do patrão e eu que até posso trabalhar mais do que ele, tenho que ficar agarrado, a ver se surge um dia uma oportunidade de ganhar mais 50€ por mês (isto sim é promoção, hein?) noutra posição dentro da empresa sem que tenha factor C a atrapalhar.
Meus amigos, vida de pobre é assim mesmo! Cheia de sonhos. Mas esses sonhos são, na sua maioria, impossíveis. É como ter a mão cheia... de ar. Ou as duas mãos cheias de água e, de repente, começamos a ver a água a passar-nos entre os dedos, até ficarmos com 1 ou 2 gotas nas mãos. Resta-nos esperar pelo milagre e continuarmos a fazer a nossa parte. Aquela história de sermos ricos em sonhos e pobres em ouro é mesmo verdade. O problema é que a riqueza de sonhos não nos traz a felicidade que o ouro nos poderia trazer com a abertura de portas. Um dia... Um dia vou ser alguém na vida! Espero que todos vocês que lutam arduamente, e remam contra a maré que vos tenta levar para o fim, para o abismo, também consigam ser alguém na vida. Alguém com posses, com portas abertas, e que se lembre de onde veio, onde começou e o que tiveram que passar para lá chegar de modo a poderem dar um futuro melhor a alguém que geraram, e que essa pessoa possa dar um futuro ainda melhor a quem gerarem e por aí fora. Até que um dia, quando nenhum de nós cá estiver para gozar dessa riqueza que só começará para aí na 3ª ou 4ª geração, possam dizer que foi connosco que tudo começou. Lá está. Ficamos com o mérito e com a fama, mas com muito pouco, ou nenhum, proveito. O dinheiro traz felicidade. Só não traz para aqueles que realmente têm um mínimo de cabeça para as coisas. Quem tiver dinheiro, acho muito bem que o estoire como bem entender. É a forma de cada um de tentar abrir portas. Umas são formas correctas e mostram-nos caminhos e abrem outras portas, enquanto outras nos abrem o abismo. Cabe-nos a nós sabermos escolher quais abrimos e quais queremos gozar. Felicidades a todos! Lutem e quem sabe um dia acontece o inesperado e abrem-se-vos portas que jamais imaginaram algum dia.

sexta-feira, agosto 18, 2006

As Mona Lisas

A Mona Lisa do Perú e a Mona Lisa... do Mundo
Foi encontrada recentemente a equivalente, no Perú, à Mona Lisa. Olhando assim de repente, mal se nota a diferença entre uma e outra...

Marcello Caetano

1906-2006

Teria completado ontem 100 anos, o n.º2 do Regime. Tinha imensos planos para Portugal, mas a democracia e a mania das birras impediram Portugal de progredir com ele. Muito obrigado Prof. Marcello Caetano por tudo o que fez por Portugal e por tudo o que iria fazer. Até sempre. Descanse em paz.

Rei de Copas

Mandaste-me dizer,
no teu bilhete ardente,
que hás-de por mim morrer,
morrer muito contente.


by Cesário Verde

quinta-feira, agosto 17, 2006

D. Manuel II

O 35.º e último Rei de Portugal foi D. Manuel II e foi cognominado de "O Patriota" pela preocupação que os assuntos pátrios sempre lhe causaram. Os monárquicos de hoje chamam-lhe "O Rei-Saudade" pela saudade que lhes deixou após a abolição da monarquia. O seu reinado foi de 1908 a 1910.
Era o filho de D. Carlos e de D. Amélia de Orleães. Devido ao regicídio e morte violenta do príncipe real D. Luís Filipe, começou a reinar (1-2-1908). Reunido o Conselho de Estado, nomeou-se um governo de concentração partidária, com excepção dos partidários do anterior ditador Franco. Na política interna, teve que enfrentar dois problemas, que puseram em descrédito a política governamental: a questão Hilton, provocada pelo súbdito inglês, residente na Madeira, que reclamava uma indemnização do Estado Português, em virtude de uma pretensa revogação do monopólio do açúcar e do álcool da ilha da Madeira, e também a do Crédito Predial, provocada pelo desfalque naquela instituição.
D. Manuel II procurou ir ao encontro das reivindicações operárias, chamando Léon Poinsard para estudar as possibilidades duma reforma das condições económicas e sociais do país. Duplicou o número de deputados republicanos por Lisboa no ano de 1910. Com efeito nas eleições municipais de Lisboa de 1908, os Republicanos elegeram uma câmara municipal de 100% sua e nas eleições de 1910 os Republicanos ganharam em Lisboa e em vários círculos. D. Manuel constituiu assim um governo caracterizado pela transigência e brandura para os Republicanos.
Em política externa procurou estabelecer boas relações com a Espanha e a Inglaterra. No dia 3 de Outubro de 1910 rebentou uma revolta republicana em Lisboa que triunfou em 5 de Outubro, e D. Manuel decide-se por Plymouth. No exílio manteve-se interessado pela política de Portugal, advogando a entrada do nosso país ao lado dos aliados na primeira guerra mundial. Por volta de 1914 os Monárquicos, aproveitando o governo mais tolerante de Bernardino Machado, formaram a causa Monárquica, que aspirava a estabelecer novamente o regime deposto. Gozava de toda a confiança e apoio do Rei D. Manuel II, que nomeou um lugar-tenente (Azevedo Coutinho, Aires de Ornelas, etc.).
D. Manuel II casou com a princesa Augusta Vitória, sem que viessem a surgir quaisquer descendentes.
E assim acabou a monarquia em Portugal, bem como os descendentes directos da realeza. Hoje, existe um Partido Monárquico e alguns parentes em 2.º grau do Rei D. Manuel II, no entanto a sua força na política portuguesa é muito fraca para se poder considerar sequer "força".
Ficam por aqui os perfis dos monarcas, espero que tenha sido do agrado de todos este reencontro com a História.

D. Carlos

34.º Rei de Portugal, D. Carlos ficou cognominado como "O Diplomata", devido às múltiplas visitas que fez a Madrid, Paris e Londres, retribuídas com as visitas a Lisboa dos Reis Afonso XIII de Espanha, Eduardo VII do Reino Unido, do Kaiser Guilherme II da Alemanha e do presidente da República Francesa Émile Loubet; "O Martirizado" e "O Mártir", em virtude de ter morrido assassinado; ou "O Oceanógrafo", pela sua paixão pela oceanografia, partilhada com o pai e com o príncipe do Mónaco. Reinou de 1889 a 1908, data em que aconteceu o regicídio do Rossio, acabando por falacer. Foi no seu reinado que se assistiu à primeira tentativa, embora fracassada, de instaurar o regime republicano pois a monarquia via próximo o seu fim.
O seu reinado, que se iniciou em 1889, decorreu todo ele num ambiente efervescente e foi marcado por uma série de acontecimentos dramáticos: Ultimato inglês, motivado pelo célebre "mapa cor-de-rosa; revolução republicana de 31 de Janeiro; recrudescimento das lutas políticas entre republicanos, que aumentavam continuamente, e monárquicos, numa posição cada vez mais fraca; ditadura de João Franco; revoltas por todo o ultramar, desde a Guiné a Timor, e consequente repressão a que estão ligados os nomes de Mouzinho de Albuquerque, em Moçambique, Alves Roçadas, em Angola, e infante D. Afonso, na Índia; nova tentativa revolucionária gorada, em 21 de Janeiro de 1908; e, finalmente, em Fevereiro desse mesmo ano, morte de D. Carlos e de seu filho D. Luís Filipe, no Rossio, alvejados a tiro por revolucionários.
Casou com D. Maria Amélia Luísa Helena e tiveram 3 filhos.

D. Luís

D. Luís foi o 33.º Rei de Portugal e foi cognominado de "O Popular” pela forma como vivia com o seu povo. Reinou de 1861 a 1889 e era o 2º filho de D. Maria II. Eça de Queiroz cognominou-o de "O Bom". Era primorosamente educado, com temperamento de literato e artista. Embora tivesse dominado a paz no reinado, houve um levantamento de tropas em 1862, em finais de 1867 o movimento da Janeirinha e em 19 de Maio de 1870 o Duque de Saldanha impôs a demissão do governo, e passou a assumir a presidência do novo ministério.
Em 1865-1866 a vida mental foi sacudida pela Questão Coimbrã e em 1871 surgiu a iniciativa das Conferências Democráticas do Casino. Realizam-se as viagens ao interior da África, o Major Serpa Pinto de Benguela ao Bié, Zambeze e chegou às cataratas de Vitória. Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens exploraram o sertão de Benguela e atravessaram a África de Luanda a Tete.
A partir de 1876 o Partido Progressista aspira a articular o Estado segundo a teoria liberal, propondo a reforma da Carta, a descentralização administrativa, a fidedignidade e ampliação do sufrágio eleitoral, a reorganização do poder judicial e da contabilidade pública. Em 1877 demitiu-se o ministério regenerador de Fontes Pereira de Melo e voltou a ser reintegrado. Posteriormente os progressistas atacaram o rei, acusando-o de patrocinar os regeneradores (Emídio Navarro, no Progresso, Joaquim Martins de Carvalho, no Conimbricense). O ministério regenerador caiu, em 1879, e D. Luís chamou os progressistas a formar governo. O republicanismo evoluíra também e em 1878 toma lugar na Câmara o primeiro deputado republicano, Rodrigues de Freitas, eleito pelo Porto. Em 1880 o Partido Republicano era uma realidade e uma força.
O reinado de D. Luís assinalou-se materialmente pelo progresso, socialmente pela paz e pelos sentimentos de convivência e politicamente pelo respeito pelas liberdades públicas, intelectualmente por uma geração notável (Eça de Queiroz, Antero de Quental, etc.). D. Luís não era um político e não soube ser o contra-peso nas intrigas e instabilidade política que se viviam no parlamento do reino. Durante o seu reinado, existiram vários governos oscilando entre o Partido Progressista (liberais) e o Partido Regenerador (conservadores), sendo que este último tinha o favor do monarca. D. Luís era principalmente um homem das ciências, com uma paixão pela oceanografia. Investiu grande parte da sua fortuna no financiamento de projectos científicos e de barcos de pesquisa oceanográfica, que viajaram pelos oceanos em busca de espécimes.
Casou com a princesa Maria Pia de Sabóia e deste casamento tiveram dois filhos: D. Carlos que lhe sucederia no trono, e o Infante D. Afonso Henriques.

quarta-feira, agosto 16, 2006

D. Pedro V

D. Pedro V foi o 32.º Rei de Portugal. Começou o seu Reinado com apenas 15 anos, em 1853 e terminou-o em 1861, falecendo com apenas 24 anos. Foi cognominado de "O Esperançoso” por nele terem sido depositadas tantas esperanças. Ficou ainda cognominado como "O Bem-Amado" ou "O Muito Amado". Os dois anos antes de começar a governar passou-os em viagens pelo estrangeiro, completando assim a educação primorosa cuidada que sua mãe na história conhecida pela "A Educadora" lhe fez ministrar. Ela própria dirigiu o ensino dos primeiros anos.
Desde novo manifestou uma inteligência e vontade de saber fora do vulgar, a que uma poderosa memória contribuiu para um brilho excepcional de personalidade. Das suas viagens deixou-nos um relato em dois volumes - Diário - publicados pela Academia das Ciências e integrados na obra Escritos de El-Rei D. Pedro V. O Diário tem um grande interesse para o estudo da figura humana do Rei e para o conhecimento da Europa sua contemporânea. Dedicou a sua vida ao progresso e ao bem-estar do país, apesar de atormentado pelos contínuos flagelos de ordem pública e particular – as epidemias, as grandes inundações, a morte da esposa, a sombra militante de Saldanha. Mesmo assim consegue dar novo ritmo à vida portuguesa mercê do seu espírito liberal e progressista que tem de lutar com o tradicional reaccioarismo nacional. Dedica grande parte do tempo aos problemas da educação, que considera fundamental para que se note a mínima parcela de progresso; os assuntos relacionados com a indústria, a agricultura, os melhoramentos públicos, a política internacional, etc., preocupam-no a todo o instante. Sob a orientação do seu pai, Pedro procurou a modernização do país, implementando infrastruturas como estradas, linhas telegráficas e caminhos de ferro. A saúde pública foi outra das suas preocupações. Juntamente com a mulher, Pedro fundou hospitais públicos e instituições de caridade.
Pode considerar-se o jovem rei como o primeiro homem moderno que em Portugal testemunhou em escritos do seu punho o significado da sua época, o conhecimento do seu país e dos seus homens. Morreu prematuramente, apenas com 24 anos, provavelmente de cólera. A sua morte enlutou verdadeiramente o reino e provocou uma enorme tristeza em todos os quadrantes da sociedade. Bulhão Pato diz: "Foi a primeira vez que vi Alexandre Herculano chorar como uma criança".
Casou com a princesa Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen e não tiveram qualquer descendente, acabando por lhe suceder o seu irmão D. Luís.

D. Maria II

31ª Rainha de Portugal, D. Maria II foi cognominada de "A Educadora" ou "A Boa Mãe", em virtude da aprimorada educação que dispensou ao seus muitos filhos. Reinou por duas vezes. De 1826 a 1828 e de 1834 a 1853.
Devia casar, logo que tivesse idade, com o tio, D. Miguel, nomeado regente e lugar-tenente do reino, o que foi aceite pelo Infante, em Julho de 1826, assumindo a regência, ao chegar a Lisboa, em Janeiro de 1828, após ter jurado fidelidade à Rainha e à Carta Constitucional. D. Maria II foi enviada para a Europa em Julho de 1828, para defender os seus direitos ao trono, tendo ficado a residir em Londres, e a partir de 1831 em França. Só em 24 de Setembro de 1834, com o fim da Guerra Civil, tendo quinze anos de idade, assumiu o governo do País.
Em 1835 pôs-se à venda todos os bens de raiz nacionais, pertencentes à Igreja Patriarcal, às Casas das Rainhas e do Infantado, das corporações religiosas já extintas e das capelas reais.
Durante o seu curto reinado, passado num dos mais conturbados períodos da nossa história, o das lutas entre liberais e absolutistas, vários acontecimentos históricos se passaram: a Guerra Civil, a revolução de Setembro, a Belenzada, Revolta dos Marechais, a Maria da Fonte, a Patuleia.
Casou com D. Augusto de Leuchtenberg, sem que tivessem tido quaisquer filhos. Voltou a casar, com D. Fernando Augusto e deste casamento teve 11 filhos, alguns dos quais falecidos no mesmo dia do nascimento.

D. Miguel

Foi o 30.º Rei de Portugal, governou de 1828 a 1834 e teve o cognome de "O Absolutista" devido às convicções ultramontanas que defendeu. Os liberais chamaram-lhe também "O Usurpador", por haver, na sua óptica, arrebatado o trono que, legitimamente, pertencia à sobrinha, D. Maria da Glória.
Terceiro filho de D. João VI e de D. Carlota Joaquina. Regressou à Metrópole com a corte vindos do Brasil no momento em que se ensaiava no País a primeira experiência liberal à qual a Rainha e os seus apoiantes reagiram vivamente por manejos anti-revolucionários.
D. Miguel tomou o partido da mãe e hostilizou o pai assumindo atitudes políticas cada vez mais definidas, tendo encabeçado o Partido tradicionalista. Foi o executor dos movimentos da Vila-Francada e da Abrilada. O primeiro constituiu um espectacular triunfo político que o elevou a comandante-chefe do exército português. Após o segundo, o Rei demite o filho do alto posto ocupado e ordena o seu exílio.
Vive quatro anos em Viena de Áustria. D. Pedro IV, após a morte de D. João VI, herdeiro do trono e já imperador do Brasil, outorga a Carta Constitucional e abdica em sua filha D. Maria da Glória que casaria, uma vez chegada a maior idade, com o seu tio D. Miguel. O país era governado por uma regência da presidência da infanta D. Isabel Maria. D. Miguel aceitou tudo quanto lhe foi proposto: jurou a Carta, celebrou esponsais com a sobrinha, protestou respeito e obediência a D. Pedro e à regente, e esperou. Malogrado o projecto de deslocar D. Miguel para o Brasil, D. Pedro IV nomeia-o seu lugar-tenente em Portugal.
Chegado a Lisboa jura de novo a Carta, assume a regência e nomeia novo ministério. Dias depois dissolve as Câmaras. Da reunião das Cortes, para isso especialmente convocadas, resulta a aclamação de D. Miguel como rei absoluto. Após a assinatura da Convenção de Évora-Monte, que pós termo à guerra civil derimida a favor de D. Pedro e dos liberais, D. Miguel terminou o breve e contestado reinado regressando ao exílio donde não mais voltou.
Casou com a princesa Adelaide de Loewenstein-Wertheim-Rosenberg e do casamento resultou o nascimento de 7 filhos.

terça-feira, agosto 15, 2006

D. Pedro IV

29.º Rei de Portugal, D. Pedro IV de Portugal e D. Pedro I no Brasil reinou apenas em 1826 durante menos de dois meses. Ficou com os cognomes de "O Rei Lutador" uma vez que andou a combater contra o irmão D. Miguel na Guerra Civil de 1832-34. É também conhecido, de ambos os lados do Atlântico, como "O Libertador" por ter sido o libertador do Brasil do jugo português e libertador de Portugal do governo absolutista.
A sua infância decorreria em ambiente carregado, entre o instável ambiente familiar e os acontecimentos sociais e políticos, desde os ecos da Revolução Francesa, às ameaças napoleónicas, culminando pela fuga da corte para o Brasil perante as invasões francesas (1807). Contava então 9 anos de idade e a sua educação decorreu à rédea solta, sem estudos sistemáticos. Sofria de epilepsia, elemento de grande importância a considerar na compreensão da sua personalidade. Educado sem "luzes excessivas", os anos depressa lhe atribuem funções cada vez mais elevadas.
A partir da revolução liberal portuguesa de 1820, os acontecimentos, quer no Brasil quer em Portugal, atropelam-se em ritmo acelerante para o feitio de D. João VI; por intimativas de Lisboa, nomeia regente do Brasil seu filho D. Pedro (devido à agitação popular no Rio, Pará e na Baía, de inspiração liberal) e volta a Portugal. Aqui, as Cortes Gerais, preocupadas com os acontecimentos brasileiros e a ascendência a reino da antiga colónia, pensam mandar o infante D. Pedro em viagem pela Europa. Mas antes que o regente do Brasil tomasse conhecimento, escreve ele a seu pai acerca das ideias de independência que alastravam no Brasil, e das quais D. Pedro viria a ser uma pedra fundamental: com efeito, a independência cobrir-se-ia com D. Pedro que, a dada altura, se teria convencido que em vez de movido, era o motor dos acontecimentos.
Em 7 de Setembro de 1822, o regente proclamava formalmente a independência brasileira, junto ao lpiranga (estado de São Paulo), sendo, mais tarde, proclamado imperador do Brasil. Quando em 1826, D. João VI morre imprevistamente, e se abre o problema da sucessão, o imperador brasileiro passa a ser uma das personagens fundamentais do drama nacional, que principiou a desenrolar-se e que termina em 1834 com a vitória dos liberais. D. Pedro foi proclamado Rei de Portugal, conforme as determinações paternais. No decurso do seu breve e longínquo reinado, confirma D. Isabel Maria na regência, e outorga aos seus súbditos uma Carta Constitucional e abdica, condicionalmente, em sua filha D. Maria da Glória, com a condição do casamento desta com seu tio D. Miguel, ausente em Viena de Áustria, e que devia jurar a Carta. Após a doação da Carta os acontecimentos precipitaram-se: em Portugal, D. Miguel começa a governar como Rei absoluto (1827), os liberais expatriados, presos ou a espernearem nas forcas; no Brasil, o choque, cada vez mais patente entre os sopros dos ventos liberais, e o autoritarismo do Imperador, arrasta-o à gradual perda de prestígio e à dramática abdicação em seu filho D. Pedro II (7-4-1831).
Tendo abdicado duas coroas, o ex-Imperador do Brasil e ex-Rei de Portugal, reduzido ao título de Duque de Bragança, abandona o Brasil e dirige-se para a Europa com a filha D. Maria II, Rainha de nome, por cujo trono se batiam os liberais portugueses espalhados pela Europa, ou reunidos na ilha Terceira. O Duque de Bragança decide empenhar-se pessoalmente na solução do pleito e a 3 de Março de 1832 assume a regência e nomeia um ministério do qual faz parte Mouzinho da Silveira. Data de então a fase decisiva da luta entre liberais e absolutistas, caracterizada, fundamentalmente, pela revolucionária legislação de Mouzinho e pelo entusiasmo e abnegação de D. Pedro, na preparação da expedição militar que, dos Açores, chegará às costas portuguesas (no Norte, próximo de Mindelo), para sentar no trono a jovem soberana e impor a Carta. E nos longos meses do cerco do Porto que o regente, não obstante os defeitos de carácter e de educação, dá a plena medida da pertinácia e dedicação pela causa que encabeçava. A convenção de Évora Monte põe fim a esta cruel guerra civil, e exila o Rei absoluto. Pouco mais viveria D. Pedro: só o tempo suficiente para ver as Cortes reunidas de acordo com a Carta, tendo falecido 4 dias após o começo do reinado de D. Maria II; apenas com 36 anos. Apaixonado, incoerente e corajoso, o nome e a actuação de D. Pedro são indissociáveis da experiência liberal portuguesa, que assinala o início do Portugal contemporâneo: mal ou bem, melhor ou pior, o possível Portugal contemporâneo e europeu principiou aí.
Casou com D. Maria Leopoldina Josefa Carolina e desse casamento nasceram 7 filhos. Casou em segundas núpcias com D. Amélia de Beauharnais e tiveram 1 filha. Teve ainda vários filhos de outras ligações.

D. João VI

D. João VI foi o 28.º Rei de Portugal. Cognominado de "o Clemente" por ser tão bondoso, e governou de 1816 a 1826. A partir de 1792, assegurou a direcção dos negócios públicos, devido à doença mental da mãe, primeiro em nome da Rainha, a partir de 1799, em nome próprio com o título de Príncipe Regente, sendo aclamado Rei em 1816. O seu reinado decorre numa época de profundas mutações à escala mundial e à escala nacional: Revolução Francesa e a consequente guerra europeia, Bloqueio Continental, campanha do Rossilhão, guerra com a Espanha e a perda de Olivença, invasões francesas, fuga da corte para o Brasil onde permaneceu durante 14 anos, revolução liberal e a independência do Brasil. Foi a derrocada de um mundo e o nascimento de outro, mudança que D. João VI não quis ou não soube compreender.
Fugindo para o Brasil perante a invasão de Junot, o monarca terá querido manter a colónia brasileira em poder de Portugal. Isto significou, no entanto, a dependência em relação à Inglaterra, com a imposição da abertura dos Portos brasileiros ao comércio internacional e com o tratado anglo-luso de 1810, desastroso para a economia metropolitana. Além disso, a presença da corte no Brasil impulsionou a independência deste país, o que se veio a verificar em 1822. Em 1821 o Rei é forçado a regressar a Portugal, devido ao triunfo da revolução de 1820 e, em 1822, jura a constituição, que vigoraria apenas durante alguns meses. Seguem-se a Vila-Francada em 1823 e a Abrilada em 1824, movimentos absolutistas encabeçados por D. Miguel.
Vencido e expatriado D. Miguel, D. João VI consagra os últimos anos do seu reinado a tentar resolver o problema brasileiro e, por altura da sua morte, em 1826, sonhava ainda com a reunião dos dois países na pessoa de um só soberano, sem se aperceber que o Brasil teria de seguir o seu destino americano e Portugal o seu destino europeu.
Casou com D. Carlota Joaquina e do casamento nasceram 9 filhos.

D. Maria I

27.ª Monarca de Portugal, foi a Rainha D. Maria I, ou Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana. Reinou de 1777 a 1816 e ficou conhecida como "A Piedosa", devido à sua extrema devoção religiosa (foi ela, por exemplo, que mandou construir a Basílica da Estrela em Lisboa), e também como "A Louca", devido à doença mental que se manifestou com veemência nos últimos vinte e quatro anos da sua vida.
Filha primogénita de D. José I, foi aclamada rainha em Março de 1777. Por sofrer de doença mental foi afastada dos negócios públicos em princípios de 1792, tendo o Príncipe D. João tomado conta do governo em nome de sua mãe até 1799, ano em que passou a governar em seu próprio nome, com o título de Regente. D. Maria I foi uma Rainha amante da paz, dedicada a obras sociais. Concedeu ainda asilo a inúmeros aristocratas franceses fugidos ao Terror da Revolução Francesa (1789). Era no entanto dada a melancolia e fervor religioso. Em 1799, a sua instabilidade mental agravada pelos sucessivos lutos pelo seu marido o Rei D. Pedro III (1786) e seu filho o Príncipe herdeiro José, Duque de Bragança, Príncipe da Beira, Príncipe do Brasil, com apenas 16 anos (1788), a marcha da Revolução Francesa, e a morte dos Reis de França executados na guilhotina, levou a que o seu filho e herdeiro D. João assumisse a regência.
Nascida em 1734, recebeu logo o título de "Princesa da Beira", passando com a ascensão ao trono do pai, em 1750, a ser chamada "Princesa do Brasil". Casou em 1760 com o seu tio D. Pedro de quem enviuvou.
A animosidade que sempre existiu entre os príncipes do Brasil e o marquês de Pombal e o desejo deste de ver D. Maria renunciar ao trono em favor de seu filho D. José, não permitiram à futura rainha que se familiarizasse com os assuntos políticos. No entanto sente-se que três preocupações absorveram o seu espírito desde os primeiros tempos do seu reinado: reparar as "ofensas" a Deus, moralizar a vida pública e governar em certos campos de uma forma mais progressiva. Perdoou aos criminosos do Estado que lhe pareceram dignos desse acto. Aceitou o pedido de escusa do Marquês de Pombal de todos os seus cargos mas manteve-lhe os seus honorários de Secretário de Estado.
Quando D. Maria subiu ao trono era delicada a nossa posição em política internacional: guerra com a Espanha no Brasil; situação difícil perante o conflito entre a Inglaterra e as colónias americanas. Em relação ao primeiro problema, procurou desde logo a Rainha um entendimento com a Espanha, o que deu origem aos Tratados de Santo Ildefonso, de Outubro de 1777, tratado preliminar de delimitação das zonas portuguesa e espanhola na América do Sul, e do Prado assinado em Março de 1778. A solução do segundo tornou-se mais difícil quando a França e a Espanha apoiaram as colónias revoltadas. Na impossibilidade de tomar partido aberto por qualquer dos beligerantes procurou obter a neutralidade, o que aconteceu em Julho de 1782, com a assinatura da convenção marítima com a Rússia, e a aceitação da Neutralidade Armada, não sem dificuldades que o governo português conseguiu vencer com certa diplomacia.
A actividade legislativa é notável, sobretudo no que diz respeito à gestão económica. Puseram-se restrições ao monopólio da Companhia do Vinho do Porto. Foi suprimida a Companhia do Grão-Pará e Maranhão; criada a Junta da Administração de todas as fábricas deste Reino e Águas Livres. Impulsionou novas manufacturas. Assinou um tratado de amizade, navegação e comércio com a Rússia. A exportação do vinho do Porto desenvolveu-se largamente.
Também no seu tempo se deu um impulso à cultura tendo-se procedido à criação de numerosas instituições, como: a Real Academia das Ciências de Lisboa, Aula Pública de Debucho e Desenho, no Porto, e a Aula Régia de Desenho de Lisboa. Fundou a Academia Real de Marinha e a Real Biblioteca Pública de Lisboa. Criou Hospitais no Brasil e na metrópole. Criou a lotaria para alargar os serviços da Misericórdia de Lisboa. Uma das suas medidas mais importantes é a fundação da Real Casa Pia de Lisboa, obra de Pina Manique.
Em 1801, o Primeiro-Ministro de Espanha, Manuel Godoy apoiado por Napoleão invadiu Portugal por breves meses e, no subsequente Tratado de Badajoz, Olivença passou para a coroa de Espanha. O Tratado de Badajoz estipulava claramente que a violação de qualquer um dos seus artigos por qualquer uma das partes contratantes conduziria à sua anulação, o que veio a suceder com a assinatura do Tratado de Fontainebleau em 1807 e subsequente invasão franco-espanhola de Portugal. O princípe regente D. João, chegado ao Brasil, declarou nulo o tratado em 1808, deixando por conseguinte de reconhecer a ocupação espanhola de Olivença (a qual, no entanto, se mantém até aos dias de hoje). Portugal continuou a fazer frente a França e, ao recusar-se a cumprir o Bloqueio naval às Ilhas Britânicas, foi invadido pela coligação franco-espanhola liderada pelo Marechal Junot. A família real fugiu para o Brasil a 13 de Novembro de 1807 e Junot foi nomeado governador de Portugal. A 1 de Agosto de 1808, o Duque de Wellington desembarcou em Portugal e iniciou-se a Guerra Peninsular. Entre 1809 e 1810, o exército luso-britânico lutou contra as forças invasoras de Napoleão, nomeadamente na batalha das Linhas de Torres. Quando Napoleão foi finalmente derrotado em 1815, D. Maria I e a família real encontravam-se ainda no Brasil e foi no Rio de Janeiro que a rainha faleceu em 1816.
Casou com o seu tio, o Infante D. Pedro, que se tornou, pelo casamento, no Rei D. Pedro III. Deste casamento nasceriam 6 filhos, de entre os quais o seu sucessor, D. João VI.

domingo, agosto 13, 2006

D. José I

O 26.º Rei de Portugal foi D. José I. Reinou de 1750 a 1777 e o seu cognome era "O Reformador", devido às reformas que empreendeu durante o seu reinado. Quando subiu ao trono, D. José I tinha à sua disposição os mesmos meios de acção governativa que os seus antecessores do século XVII, apesar do progresso económico realizado no país, na primeira metade do século XVIII.
Esta inadaptação das estruturas administrativas, jurídicas e políticas do país, juntamente com as condições económicas deficientes herdadas dos últimos anos do reinado de D. João V, vai obrigar o monarca a escolher os seus colaboradores entre aqueles que eram conhecidos pela sua oposição à política seguida na reinado anterior.
Diogo de Mendonça, Corte Real Pedro da Mota e Silva e Sebastião José de Carvalho e Melo passaram a ser as personalidades em evidência, assistindo-se de 1750 a 1755 à consolidação política do poder central e ao reforço da posição do Marquês de Pombal, com a consequente perda de importância dos outros ministros. Uma segunda fase, de 1756 a 1764, caracteriza-se pela guerra com a Espanha e a França, pelo esmagamento da oposição interna - expulsão dos Jesuítas, reforma da Inquisição e execução de alguns nobres acusados de atentarem contra a vida do Rei, entre os quais o Duque de Aveiro e o Marquês de Távora -, e pela criação de grandes companhias monopolistas, como a do Grão-Pará e Maranhão e a das Vinhas do Alto Douro. Uma terceira fase, até 1770, é marcada por uma grande crise económica e, até final do reinado, assiste-se à política de fomento industrial e ultramarino e à queda económica das companhias monopolistas brasileiras.
Todo o reinado é caracterizado pela criação de instituições, especialmente no campo económico e educativo, no sentido de adaptar o País às grandes transformações que se tinham operado. Funda-se a Real Junta do Comércio, o Erário Régio, a Real Mesa Censória; reforma-se o ensino superior, cria-se o ensino secundário (Colégio dos Nobres, Aula do Comércio) e o primário (mestres régios); reorganiza-se o exército. Em matéria de política externa, D. José conservou a política de neutralidade adoptada por seu pai. De notar ainda, o corte de relações com a Santa Sé, que durou 10 anos.
Foi no seu reinado que se deu o maior terramoto que alguma vez se viveu em Portugal: o de 1755 em Lisboa. O Terramoto de 1755 também conhecido por Terramoto de Lisboa, ocorreu no dia 1 de Novembro de 1755 às 9h20 da manhã, resultando na destruição quase completa da cidade de Lisboa, e atingindo ainda grande parte do litoral do Algarve. O sismo foi seguido de um tsunami (que se crê ter atingido a altura de 20 metros) e de múltiplos incêndios, tendo feito mais de 100 mil mortos. Foi um dos sismos mais mortíferos da História, marcando o que alguns historiadores chamam a pré-história da Europa Moderna. Os geólogos modernos estimam que o Sismo de 1755 atingiu 9 graus na escala de Richter. O Terramoto de Lisboa teve um enorme impacto político e socio-económico na sociedade portuguesa do Século XVIII, dando origem aos primeiros estudos científicos do efeito de um terramoto numa área alargada, marcando assim o nascimento da moderna sismologia. O acontecimento foi largamente discutido pelos filósofos iluministas, como Voltaire, inspirando desenvolvimentos significativos no domínio da teodiceia e da filosofia do sublime.
Foi ainda com ele que surgiu um dos maiores personagens da História de Portugal e possivelmente o melhor Primeiro-Ministro de todos os tempos: Sebastião de Carvalho e Melo, vulgo Marquês de Pombal que reorganizou as leis, a economia e a sociedade portuguesas, transformando Portugal num país moderno. É considerado, ainda hoje, uma das figuras mais controversas e carismáticas da História Portuguesa. Representante do despotismo ilustrado em Portugal no século XVIII, viveu num período da história marcado pelo iluminismo, tendo desempenhado um papel fulcral na aproximação de Portugal à realidade económica e social dos países do Norte da Europa, mais dinâmica do que a portuguesa. Iniciou com esse intuito várias reformas administrativas, económicas e sociais. Acabou na prática com os autos de fé em Portugal e com a discriminação dos cristãos-novos, apesar de não ter extinguido oficialmente a Inquisição portuguesa, em vigor "de jure" até 1821. Foi um dos principais responsáveis pela expulsão dos Jesuítas de Portugal e suas colónias. A sua administração ficou marcada por duas contrariedades célebres: a primeiro foi o Terramoto de Lisboa de 1755, um desafio que lhe conferiu o papel histórico de renovador arquitectónico da cidade. Pouco depois, o Processo dos Távoras, uma intriga com consequências dramáticas. Na sequência do terramoto, D. José I deu ao seu primeiro-ministro poderes acrescidos, tornando Sebastião de Melo numa espécie de ditador. À medida que o seu poder cresceu, os seus inimigos aumentaram, e as disputas com a alta nobreza tornaram-se frequentes. Em 1758 D. José I é ferido numa tentativa de regicídio. A família de Távora e o Duque de Aveiro foram implicados no atentado e executados após um rápido julgamento. Expulsou e confiscou os bens da Companhia de Jesus (jesuítas), porque a sua influência na sociedade portuguesa e as suas ligações internacionais eram um entrave ao fortalecimento do poder régio. Sebastião de Melo não mostrou misericórdia, tendo perseguido cada um dos envolvidos, incluindo mulheres e crianças. Com este golpe final, o poder da nobreza foi decisivamente contrariado, marcando uma vitória sobre os inimigos. Pela sua rapidez de agir, D. José I atribuiu ao seu leal Ministro o título de Conde de Oeiras em 1759.
D. José I casou com a espanhola D. Mariana Vitória e deste casamento nasceram 4 filhas, todas elas com o nome de Maria, de entre as quais a futura Rainha de Portugal, D. Maria I.

terça-feira, agosto 08, 2006

Mini-férias

Vou hoje para umas mini-férias, volto no domingo. Não se esqueçam de depois verem os novos posts!

segunda-feira, agosto 07, 2006

D. João V

D. João V foi o 25.º Rei de Portugal. Reinou de 1707 a 1750 e teve o cognome de "O Magnânimo" ou "O Rei Sol Português", em virtude do luxo de que se revestiu o seu reinado. Alguns historiadores recordam-no também como "O Freirático", devido à sua conhecida apetência sexual por freiras (de algumas das quais chegou inclusivamente a gerar diversos filhos).
Quando inciou o reinado, estava-se em plena Guerra da Sucessão de Espanha, que para Portugal significava o perigo da ligação daquele país à grande potência continental que era a França. No entanto, a subida ao trono austríaco do imperador Carlos III, pretendente ao trono espanhol, facilitou a paz que foi assinada em Utreque, em 1714. Portugal viu reconhecida a sua soberania sobre as terras amazónicas e, no ano seguinte, a paz com a Espanha garantia‑nos a restituição da colónia do Sacramento.
Aprendeu D. João V com esta guerra a não dar um apreço muito grande às questões europeias e à sinceridade dos acordos; daí em diante permaneceu inalteravelmente fiel aos seus interesses atlânticos, comerciais e políticos, reafirmando nesse sentido a aliança com a Inglaterra. Em relação ao Brasil, que foi sem dúvida a sua principal preocupação, tratou D. João V de canalizar para lá um considerável número de emigrantes, ampliou os quadros administrativos, militares e técnicos, reformou os impostos e ampliou a cultura do açúcar. Apesar disso, Portugal entra numa fase de dificuldades económicas, devidas ao contrabando do ouro do Brasil e às dificuldades do império do Oriente.
A este estado de coisas procura o rei responder com o fomento industrial, mas outros problemas surgem, agora de carácter social: insubordinação de nobres, quebras de discipliana conventual, conflitos de trabalho, intensificação do ódio ao judeu. Por outro lado, o facto da máquina administrativa e política do absolutismo não estar de maneira nenhuma preparada para a complexidade crescente da vida da nação, só veio agravar as dificuldades citadas.
Culturalmente, o reinado de D. João V tem aspectos de muito interesse. O barroco manifesta-se na arquitectura, mobiliário, talha, azulejo e ourivesaria, com grande riqueza. No campo filosófico surge Luís António Verney com o Verdadeiro Método de Estudar e, no campo literário, António José da Silva. É fundada a Real Academia Portuguesa de História e a ópera italiana é introduzida em Portugal.
D. João V foi casado com D. Maria Ana de Áustria, tendo tido 6 filhos desta união. Teve ainda 4 filhos fora do casamento.

D. Pedro II

D. Pedro II, 24.º Rei de Portugal, foi cognominado de "O Pacífico", por ter sido durante a sua regência que se fez a paz com a Espanha. Reinou de 1683 a 1706. Um signo funesto parecia pesar sobre os destinos da nascente dinastia. Não desistia o orgulho da Espanha de eliminá-la radicalmente por guerra de reconquista. Consumira-se o fundador, exausto na luta, sem ter podido consolidá-la. Por cúmulo, três anos antes da sua morte, falecera-lhe em 1653, aos 19 anos de idade, o primogénito, príncipe D. Teodósio, em quem seu pai fundava as melhores esperanças. Ficava-lhe por sucessor, ainda menor de 13 anos, o infante D. Afonso, com os defeitos que o incompatibilizavam com o exercício da realeza e as consequências políticas da sua doentia inferioridade, a principal das quais foi o golpe de estado que elevou à situação de primeiro-ministro, aparentemente na modesta designação de escrivão da puridade do monarca, mas na função efectiva de verdadeiro soberano, o Conde de Castelo Melhor.
Entretanto em 1666, para assegurar-lhe a sucessão e o apoio do poderoso Luís XIV, o diligente ministro negociara o casamento de D. Afonso VI com uma Princesa de França, Mademoiselle d'Aumale, D. Maria Francisca Isabel de Sabóia, sobrinha de Luís XIV e neta de Henrique IV. E foi esse o único acto imprudente do sagaz político, tão fatal para a desgraça do Rei, como para os seus próprios planos ambiciosos duma política de engrandecimento do Reino. Realizado em 1666, resultou o casamento irreparavelmente desastroso, dada a incapacidade física e moral do Rei. Foi praticamente o detonador da segunda revolução de palácio, em 1667, encabeçada agora pelo Infante D. Pedro, com o apoio de todos os inimigos de Castelo Melhor, invejosos da sua fortuna política.
Educada na dissoluta corte de Versalhes, a nova e formosa Rainha D. Maria Francisca, vexada por tal consórcio, apaixonou-se pelo brilhante cunhado D. Pedro, de 18 anos. Nos seus delituosos amores, ambos conluiaram novo golpe político. Em certa manhã de Novembro de 1667, a rainha abandonava o Paço e, de concerto com o Infante D. Pedro, refugia-se no Convento da Esperança, aonde logo ele acorria a seu favor, com o Conselho de Estado. E, depois de tumultos vários, o Rei era coagido a assinar a sua própria deposição e entrega do governo do Reino a seu irmão, o qual, em nome da Rainha, assumia o poder como príncipe-regente, desterrando para os Açores o irmão destronado e, depois de rápido e escandaloso divórcio, casava com a cunhada em Abril de 1668, dela tendo logo em Janeiro do ano seguinte a sua primeira e única filha, a Princesa D. Isabel Luísa. Consumara-se a dupla usurpação do trono e da mulher.
Assim dramaticamente, com 20 anos apenas, começava D. Pedro, em 1668, a sua atribulada vida política. Defrontava-se de entrada com a gravíssima situação económica e financeira do Portugal restaurado, arruinado por vinte e oito anos de guerra sem tréguas, depois dos sessenta de estragos directos e indirectos do domínio filipino. Resolutamente se esforçou desde logo o usurpador por administrar bem, com acerto, chamando ao Conselho, para conjurar a crise, um escol de homens notáveis pela cultura e pelo carácter, como Diogo Rodrigo de Macedo, o 3.º Conde da Ericeira, D. Luís de Meneses, e outros economistas, homens cultos, informados já pelas novas teorias económicas fisiocráticas de Colbert, grande Ministro das Finanças de Luís XIV.
Restava à Metrópole, como esteio económico, o Brasil, com sua próspera actividade, agro-industrial de plantações e engenhos de açúcar, exportação de pau-brasil e outras madeiras e produtos exóticos, além da intensiva pesquisa de minas de ouro e prata que se presumia existirem a oeste, como nos sertões do Peru e da Bolívia, próximos em continental continuidade. No afã de se acudir por todos os meios à ameaça duma bancarrota à vista, recorria-se ainda complementarmente à valorização económica dos domínios de África. Em 1678 tentava-se uma colonização militar em Moçambique, para fixação de colonos e exploração agrícola, e desenvolvia-se na fertilíssima região da Zambézia um símile de capitanias donatárias, à semelhança das do Brasil, com as concessões de terras, a que se deu a designação oficial de prazos da Coroa. Na Guiné, em Cabo Verde, em Angola, que praticamente viviam do tráfico de escravatura, incrementava-se por meios adequados o fomento agrícola e comercial, criando companhias de comércio privilegiadas, como as de Cacheu e Cabo Verde e outras, disseminando feitorias e povoações comerciais nas zonas mais populosas de Angola e Moçambique. Tudo, porém, pouco mais do que inútil. Progressivamente se agravavam a penúria e decadência material da Metrópole, sob a regência de D. Pedro, cujo reinado legítimo só propriamente começara em 1683, por morte do irmão proscrito, sem descendência, na sua prisão-desterro do Paço de Sintra, para onde viera transferido dos Açores (ilha Terceira), depois de malograda, pela execução dos cabecilhas, a conjura de 1673, para o libertar e repor no trono.
Nesse mesmo ano de 1690 a situação agravava-se com o suicídio do 3.º Conde da Ericeira, seu vedor da Fazenda, numa crise aguda de neurastenia, exacerbada pela inanidade da sua sábia administração desde 1675 e de todos os seus planos da criação de indústrias fabris para ressurgimento da Metrópole em sólidas bases económicas. Era o sinal de alarme duma inevitável ruína financeira a curto prazo, que arrastaria possivelmente a própria Nação à catástrofe duma desagregação política, precursora de definitiva absorção por Espanha. De resto, já mesmo em 1683, ano da proclamação do rei em Cortes, era tão patente e generalizada a previsão dessa fatalidade que o próprio D. Pedro II chegara a encarar seriamente o propósito de renunciar à coroa e retirar para o Brasil, abdicando na filha D. Isabel e em quem viesse a ser seu marido. Dissuadiram-no dessa espécie de deserção o confessor e o seu conselheiro secreto, sem que por esse facto se desanuviassem as perspectivas do pessimismo que havia levado ao suicídio o seu mais ilustre vedor da Fazenda. Em 1685, cedia enfim ao acto de generosidade de autorizar o regresso de Castelo Melhor, já velho e sem veleidades políticas. Nesse destino lúgubre se teria talvez afundado, com a dinastia, a sobrevivência da Nação, se nos fins do século não tivesse providencialmente chegado à corte a alvoroçada notícia da descoberta de minas de ouro e brilhantes no Brasil, a coroarem de pleno êxito as exaustivas e pertinazes incursões do bandeirismo paulista nas selvas e sertões a oeste do imenso e inexplorado estado americano.
Como o rendimento fiscal da Coroa era desde logo o quinto da mineração, a primeira remessa de 1699 trazia a D. Pedro, além de 11000 quilos de ouro amoedado, o valor de sete milhões de cruzados, na transacção de brilhantes em Amesterdão; e até final do reinado o quinto devido à Coroa orçaria por cerca de cinco milhões de cruzados. Era uma ressurreição de desvairantes esperanças! Considerados desnecessários, e logo abandonados, todos os planos de sadia reformação económica por exploração metódica das próprias riquezas da Metrópole, e por isso também já despiciendo, por supérfluo, o acordo comercial negociado com Inglaterra em 1703, conhecido por Tratado de Methuen. Era, aliás, de vantagens problemáticas para a nossa economia a colocação dos nossos vinhos em Inglaterra, mas substancial para esta a colocação entre nós de seus lanifícios. O fortuito caudal de ouro e pedras preciosas do Brasil tudo viria suprir e sanar sem mais cuidados para o futuro da dinastia.
Ter-lhe-ia, pois, terminado em glória o tormentoso reinado sem a aventura militar em que por fim precipitava o Reino, acedendo a pressões inglesas para se imiscuir também, como aliado, no imbróglio inextricável da Guerra de Sucessão de Espanha, em que rigorosamente não se pleiteavam vitais interesses materiais ou políticos para a Nação, nem mesmo a defesa do seu território ou da honra nacional, que, pelo contrário, ficavam sob a permanente ameaça das contingências duma guerra, sempre imprevisíveis. Aderindo à tripla aliança anglo-austro-holandesa contra o bloco bourbónico franco-espanhol, D. Pedro obrigava-se, por acordo de 1703, a fornecer aos aliados um exército de 28 000 homens e, pior que tudo, à cedência do próprio território pátrio para teatro de operações, como a melhor base estratégica de invasão da Espanha. Favorável de começo a campanha, pelos êxitos efémeros do exército do marquês das Minas na sua marcha e entrada triunfal em Madrid (1706), evoluiria em breve desastrosamente para os aliados, depois da sua decisiva derrota na batalha de Almansa, em Espanha (1707), a que se seguiu a contra-ofensiva espanhola sobre Portugal, em cujas fronteiras, forçosamente desguarnecidas, a batalha do Caia foi outra--derrota para o exército anglo-português.
Em suma, por sua morte, em 1706, o rei, cognominado "O Pacífico", deixava ao sucessor, com várias praças do Alentejo ocupadas por espanhóis, o encargo de liquidar uma guerra inglória e dispendiosa que, no reinado seguinte, se arrastaria por mais seis anos e de que a única vantagem positiva para a Nação, pelo Tratado de Paz de Utreque, ratificado em 1713 com a França e em 1715 com a Espanha, viria a ser a de se ter salvo, ao menos, a integridade dos seus domínios do Ultramar.
O seu primeiro casamento foi com a sua cunhada, D. Maria Francisca Isabel de Sabóia e tiveram uma filha. Do segundo casamento com D. Maria Sofia de Neuburg, teve 7 filhos. Fora dos casamentos, teve 3 filhos.

domingo, agosto 06, 2006

D. Afonso VI

D. Afonso VI foi o 23.º Rei de Portugal. Governou de 1656 a 1683 e foi cognominado de "O Vitorioso", porque no seu reinado Portugal havia vencido a Espanha em inúmeras batalhas da Guerra da Restauração. A isso muito se deveu a vinda a Portugal de um estratega alemão, o Conde de Schomburg.
Atacado na infância por doença não identificada, fica mental e fisicamente diminuído. Com a morte de seu irmão D. Teodósio e de seu pai, sobe ao trono com treze anos, pelo que a regência ficou entregue à sua mãe. O Rei foi crescendo, rebelde a toda a acção educadora, levando uma vida desregrada e manifestando-se perfeitamente incapaz para assumir as responsabilidades do governo.
Um dos seus companheiros, na vida de arruaceiro que levava, António Conti, italiano de origem, insinuou-se-lhe de tal maneira que em breve passou a viver no Paço, a convite de D. Afonso VI e a ter influência nos negócios do governo do reino. O escândalo aumentou a um ponto que D. Luísa de Gusmão fez jurar herdeiro do trono o Infante D. Pedro e António Conti foi preso. Logo a seguir, o Conde de Castelo Melhor (D. Luís de Vasconcelos e Sousa) executa um golpe de Estado, compelindo D. Luísa a entregar o governo a D. Afonso VI e forçando-a a retirar-se para um convento.
Nas boas graças do rei, Castelo Melhor lança-se na sua curta a brilhante carreira política, terminando vitoriosamente com a guerra da Restauração e conseguindo casar D. Afonso com Mademoiselle de Aumale. Em breve a nova Rainha entra em conflito com Castelo Melhor. Giza-se nova conspiração no paço, de que resulta a demissão do conde e a abdicação de D. Afonso VI. D. Pedro toma as rédeas do poder, casa com a cunhada, depois da anulação do casamento desta com D. Afonso e este último é desterrado para Angra do Heroísmo em 1669, donde regressa em 1674, sendo então preso no quarto com o seu nome no Palácio de Sintra até à sua morte, que se diz ter sido por envenenamento, após ter sido deposto pelo seu irmão D. Pedro II, que veio a casar com a sua mulher, D. Maria Franscisca de Sabóia. Apenas saía do quarto para se dirigir à Capela do Palácio. Supõe-se que fosse homossexual.
Foi casado com D. Maria Francisca de Sabóia e morreu sem descendência.

D. João IV

22.º Rei de Portugal, D. João IV ficou conhecido como "O Restaurador", por haver sido restaurada a independência nacional. Reinou entre 1640 e 1656. Com ele se iniciou a 4ª Dinastia, ou Dinastia de Bragança. Já em 1638, os conjurados da Revolução de 1640 tinham procurado obter a aceitação de D. João para uma revolta contra Espanha. Mas as hesitações, ou cautelas, do Duque fizeram levantar a hipótese de se conseguir o regresso do Infante D. Duarte, solução que falhou, tendo-se mesmo encarado a instauração de uma República, nos moldes da das Províncias Unidas.
A verdade é, que depois da sua aclamação como rei a 15 de Dezembro de 1640, todas as hesitações desapareceram e D. João IV fez frente às dificuldades com um vigor que muito contribuiu para a efectiva restauração da independência de Portugal. Da actividade global do seu reinado, deveremos destacar o esforço efectuado na reorganização do aparelho militar - reparação das fortalezas das linhas defensivas fronteiriças, fortalecimento das guarnições, defesa do Alentejo e Beira e obtenção de material e reforços no estrangeiro; a intensa e inteligente actividade diplomática junto das cortes da Europa, no sentido de obter apoio militar e financeiro, negociar tratados de paz ou de tréguas e conseguir o reconhecimento da Restauração; a acção desenvolvida para a reconquista do império ultramarino, no Brasil e em Africa; a alta visão na escolha dos colaboradores; enfim, o trabalho feito no campo administrativo e legislativo, procurando impor a presença da dinastia nova.
Quando morreu, o reino não estava ainda em segurança absoluta, mas D. João IV tinha-lhe construído umas bases suficientemente sólidas para vencer a crise.
Foi casado com D. Luísa Francisca de Gusmão que, embora fosse espanhola, apoiou D. João IV dizendo-lhe que "antes ser Rainha por uma hora, que Duquesa toda a vida". Deste enlace, surgiram 7 filhos. De mulher desconhecida, teve uma filha ilegítima.

sábado, agosto 05, 2006

O Meu Interregno Histórico

Este é o meu interregno histórico. A crise de 1580 a 1640. Recuso considerar que Portugal teve um dia como capital... Madrid! Recuso considerar que tivemos reis espanhóis. Recuso tudo isto por motivos patrióticos. Portugal nunca pertenceu a Espanha. Nunca conhecemos um Filipe, um Manolo, ou um Pablo que fosse. Prefiro considerar que Portugal teve um período de pura anarquia e desordem, e que o país se encontrou em fase de construção, estando em crise durante 60 anos. Será essa a minha 3ª Dinastia. A Dinastia da crise! Como tal, jamais farei uma referência a um espanhol que seja. Voltarão brevemente os perfis dos portugueses que foram reis de Portugal, com a 4ª Dinastia.

D. António

D. António foi o 18.º Rei de Portugal, apesar de alguns o negarem como tal. Reinou durante 1 mês no Continente (24 de Julho a 25 de Agosto de 1580), e 3 anos nos Açores (até 1583), onde chegou a cunhar moeda, e ficou cognominado como o Prior do Crato. Deveria ter sido ele a suceder a D. Sebastião e não o Cardeal D. Henrique, dado ser ele o mais directo sucessor do Rei D. Manuel I (era neto).
Existem vários indícios e factos que nos provam que D. António foi, de facto, o 18.º Rei de Portugal e com legitimidade para tal. Se assim tivesse acontecido, e ele se tivesse seguido a D. Henrique, a linhagem de Avis teria continuado e jamais teríamos sido invadidos pelos Espanhóis. Toda a História teria sido diferente do que aconteceu, não se sabe se para melhor, se para pior. Agora isso também não interessa, porque não aconteceu, e não vamos jogar no campo das suposições. No entanto, D. António teve uma descendência muito vasta e teria dado continuidade à linhagem.
O seu pai desejava que ele seguisse a vida eclesiástica e a sua educação processou-se em sucessivos mosteiros e colégios religiosos, tendo tido por mestres o grande humanista Fr. Diogo de Murça, o padre Simão Rodrigues de Azevedo, o teólogo Pedro MargaIho e D. Frei Bartolomeu dos Mártires. Com a morte do seu pai decide romper com a carreira que lhe tinha sido imposta. Já Prior do Crato e com as ordens de Diácono, recusa a ordenação de presbítero e comporta-se como pessoa secular. Por esse motivo, seu tio o Cardeal D. Henrique manifesta-lhe um ódio declarado, o que o leva a exilar-se em Castela, em várias ocasiões, durante a menoridade de D. Sebastião. Com a subida ao trono deste monarca e gozando da sua estima, D. António desempenha o cargo de Governador de Tânger.
Obtém, então, dispensa do papel das ordens de Diácono. Toma parte na batalha de Alcácer-Quibir e é feito prisioneiro. Resgatado, regressa a Lisboa para chefiar um dos partidos nacionais que se opunham à candidatura de Filipe II ao trono português. O Prior do Crato baseava a sua candidatura na situação de filho legitimado do infante D. Luís, segundo filho de D. Manuel, uma vez que não havia descendentes directos de D. João III. Era necessário, todavia, provar o matrimónio secreto de seus pais. Organiza-se um processo a D. António obtém uma sentença favorável, mas a actuação pessoal do Cardeal-Rei, que contesta aquela decisão, culmina numa nova sentença desfavorável.
Com a morte do Cardeal, as tropas filipinas entram em Portugal. Os partidários do prior do Crato aclamam-no Rei em Santarém; Lisboa e Setúbal recebem-no vibrantemente e, em breve, quase todos os burgos do reino alinham a seu lado. Mas, não dispondo de exército organizado, nem de recursos, é derrotado na batalha de Alcântara pelo exército castelhano. Consegue fugir com dificuldade para o estrangeiro onde, nas cortes de França a de Inglaterra, procura obter auxílio para lutar contra Filipe II.
Duas esquadras francesas enviadas à Ilha Terceira são derrotadas sucessivamente pelos castelhanos. A Terceira perde-se, como último bastião de D. António. Vivendo miseravelmente em França, a expensas de Catarina de Médicis resolve passar à corte de Isabel I pedindo novo auxilio. Os ingleses como represália contra o ataque da Invencível Armada, resolvem enviar a Portugal uma esquadra, comandada por Drake. D. António desembarca em Peniche mas sofre novo desaire. Regressa a França e, depois de ter conseguido um novo auxílio de Henrique IV, morre em Paris de uma crise de uremia, sem realizar o projecto por que tanto lutou.
Ficou ainda conhecido como "O Independentista", pela forma como sempre lutou pela independência de Portugal face aos espanhóis.
Teve 10 filhos de várias mulheres.

sexta-feira, agosto 04, 2006

D. Henrique

D. Henrique foi o 17.º de Portugal. Governou de 1578 a 1580 (curto reinado) e tinha como cognome "O Casto", devido à sua função eclesiástica, que o impediu de ter descendência legítima. A sua educação foi orientada para a vida eclesiástica, recebendo sólida cultura, que lhe foi ministrada por sábios como Pedro Nunes, Nicolau Clenardo e Aires Barbosa. Um cronista do tempo define-o como "de sua condição encolhido, e vergonhoso (...) pouco mimoso e severo, continente e temperado nas palavras".
A sua carreira eclesiástica iniciou-se aos 14 anos, ao ser investido como prior comendatário de Santa Cruz de Coimbra. Seis anos depois recebeu a administração do arcebispado de Braga. Em 1540 é feito arcebispo de Évora. Nesta cidade cria uma pequena corte de letrados, músicos, cantores a charameleiros, que faziam parte da sua casa episcopal. A protecção que dispensou à cultura até 1562 permite considerá-lo como um príncipe de ideal renascentista. Entretanto fora nomeado, em 1539, inquisidor‑geral do reino, em 1545 cardeal e sete anos mais tarde legado apostólico em Portugal.
Em 1562 obteve a arquidiocese de Lisboa, mas doze anos depois transferiu-se de novo para Évora. Foi graças aos seus esforços que se criou, em 1559, uma Universidade naquela cidade alentejana, tendo o cardeal ajudado ao desenvolvimento dessa instituição. Como prelado e inquisidor foi defensor extreme de princípios religiosos que concebia de forma altamente conservadora. A sua importância política começa a sobressair durante a menoridade de D. Sebastião, tendo sido regente de 1562 a 1568, opondo-se às pretensões de D. Catarina de Áustria, adepta da ingerência espanhola na política portuguesa.
Nos primeiros anos após a maioridade de D. Sebastião, D. Henrique é o seu principal orientador. Mas desentendem-se, e a partir de 1572, o Cardeal voltará a Évora onde, em Janeiro de 1578, recusa o seu consentimento à expedição a Marrocos. Subindo ao trono após o desastre de Alcácer-Quibir, começa por tentar resolver o problema da sucessão ao trono em termos nacionais, convocando cortes para Almeirim e projectando o seu casamento com a rainha-mãe de França. Mas a influência espanhola, que era cada vez maior em Portugal, as rivalidades entre os vários pretendentes ao trono, a ruína financeira do País e outros factores fizeram da última fase do reinado de D. Henrique um período de indecisão, acabando por se eximir a nomear um herdeiro da coroa, preferiu deixar o problema em suspenso, escolhendo cinco governadores para o substituírem após a sua morte. Seria o chamado "Conselho de Governadores do Reino de Portugal". Servia para exercer interinamente o governo do reino, até que se decidisse sobre quem tinha legitimidade para governar. Faziam parte desse Conselho D. Jorge de Almeida, D. Francisco de Sá Menezes, D. João Telo, D. João de Mascarenhas, D. Diogo Lopes de Sousa. O Conselho exerceu os normais actos de soberania enquanto esteve em funções – destacando-se, pela sua importância, a cunhagem de moeda própria. Exercia a presidência do Conselho o Arcebispo de Lisboa. De entre os seus membros, somente João Telo era contrário a Filipe II de Espanha como Rei de Portugal, sendo os demais pelo Rei castelhano. Tendo as Cortes dissolvido-se pouco depois sem deliberarem acerca da sucessão, acabaram os Governadores do Reino por (comprados pelas dobras castelhanas oferecidas por Cristóvão de Moura) decidir ser Filipe II de Espanha o legítimo herdeiro do trono de Portugal e Algarves e seus senhorios ultramarinos. Em virtude desta tomada de decisão, o povo de Santarém viria a rebelar-se e a aclamar como Rei de Portugal D. António, o Prior do Crato, em 24 de Julho de 1580. Poucos dias mais tarde entrava em Lisboa triunfalmente, onde foi recebido com idêntico entusiasmo, o que levou os Governadores a fugirem com receio para Setúbal, e daí rumo a Ayamonte, onde declararam sucessor legítimo da Coroa o rei Filipe II de Espanha, e dando-lhe assim um pretexto para invadir militarmente o reino, tendo em vista apossar-se daquilo que, agora, lhe pertencia de direito.

D. Sebastião

O 16.º Rei de Portugal, foi o mais que mítico D. Sebastião. Reinou de 1557 a 1578 e ficou conhecido como "O Desejado" em virtude de ser um herdeiro muito esperado para dar continuidade à Dinastia de Avis e a coroa corria o perigo de vir a ser herdada por outro neto de D. João III, o príncipe D. Carlos, filho de Filipe II de Espanha. Ficou ainda conhecido como "O Encoberto" ou "O Adormecido" devido à lenda que se refere ao seu regresso numa manhã de nevoeiro, para salvar a Nação.
De saúde precária, D. Sebastião mostrou desde muito cedo duas grandes paixões: a guerra e o zelo religioso. Cresceu na convicção de que Deus o criara para grandes feitos, e, educado entre dois partidos palacianos de interesses opostos (o da sua avó que pendia para a Espanha, e o do seu tio-avô o cardeal D. Henrique favorável a uma orientação nacional), D. Sebastião, desde a sua maioridade, que se afastou abertamente de um e de outro, aderindo ao partido dos validos, homens da sua idade, temerários a exaltados, que estavam sempre prontos a seguir as suas determinações.
Nunca ouviu conselhos de ninguém, e entregue ao sonho anacrónico de sujeitar a si toda a Berbéria a trazer à sua soberania a veneranda Palestina, nunca se interessou pelo povo, nunca reuniu cortes nem visitou o País, só pensando em recrutar um exército a armá-lo, pedindo auxílio a Estados estrangeiros, contraindo empréstimos a arruinando os cofres do reino, tendo o único fito de ir a África combater os mouros.
Chefe de um numeroso exército, na sua maioria aventureiros e miseráveis, parte para a África em Junho de 1578; chega perto de Alcácer Quibir a 3 de Agosto e a 4, o exército português esfomeado a estafado pela marcha e pelo calor, e dirigido por um rei incapaz, foi completamente destroçado, figurando o próprio rei entre os mortos.
Morreu solteiro e sem descendência e apesar de haver quem diga que tinha tendências homossexuais, creio que não ter constituído família, nem ter tido filhos, se deve apenas ao facto de ter uma ambição do tamanho do mundo e se ter preocupado exclusivamente com ela. Outro bom cognome para ele era qualquer coisa como "O Suicida".

D. João III

D. João III foi o 15.º Rei de Portugal. Com o cognome de "O Piedoso" por ter prestado especial atenção à evangelização dos territórios ultramarinos, reinou de 1521 a 1557. No entanto, teve muitas dificuldades em conservar o Grande Império Português e algumas terras africanas perderam-se.
Teve como mestres algumas figuras notáveis da época, como o humanista Luís Teixeira e o médico Tomás de Torres. A partir de 1514, D. Manuel começa a introduzi-lo nas matérias do governo e, em 1517, preparava-se o seu casamento com D. Leonor, irmã de Carlos V. É, porém, D. Manuel que vem a casar com ela, em virtude da morte da rainha D. Maria. Com 19 anos é aclamado rei e mais tarde casa com a irmã de D. Leonor, D. Catarina de Áustria. O governo de D. João III pode compreender-se à luz de uma vasta política nacional e ultramarina, de que assinalo como marcos essenciais: 1-Política ultramarina: O vasto império herdado pelo monarca e que se estendia por três continentes, impunha difíceis problemas de administração à distância. No Oriente, após uns primeiros anos de continuação de conquistas, as dificuldades começaram a surgir. Turcos e Árabes ofereciam uma resistência cada vez maior ao monopólio dos Portugueses e os ataques às nossas forças sucediam-se. Em África, as guarnições dos nossos castelos de Marrocos não conheciam vida calma. Homens e armas eram enviados com frequência, como reforço, ocasionando uma despesa enorme sem proveito correspondente, o que em breve se tornou insustentável. Abandonou-se Safim, Azamor, Alcácer‑Ceguer e Arzila. Como compensação das dificuldades no Oriente e revezes em Africa, voltou-se D. João III para o Brasil, realizando a primeira tentativa de povoamento e valorização daquele território, primeiro com o sistema de capitanias e depois instituindo um governo geral, com Tomé de Sousa à frente.
2- Relações externas: Em nenhum outro reinado da 2.ª Dinastia Portugal manteve uma tão grande actividade diplomática, como no de D. João III, e com a Espanha, de uma maneira intensa. Com a França, de maneira bastante delicada, devido à guerra de corso movida pelos marinheiros franceses aos navios mercantes de Portugal e consequentes represálias por parte da nossa marinha de guerra. Com a Santa Sé, orientando-se no fortalecimento de relações, conseguindo D. João III o estabelecimento do Tribunal da Inquisição em Portugal e aderindo os bispos portugueses ao espírito da Contra‑Reforma. Mais dentro do campo económico, são de pôr em realce as relações estabelecidas com os países do Báltico e a Polónia, através da feitoria de Antuérpia.
3- Política interna: A linha absolutista acentua-se nitidamente com D. João III. Este governa apenas com o auxílio do secretário de Estado, António Carneiro e seus dois filhos Francisco e Pêro de Alcáçova Carneiro. A máquina administrativa foi-se estruturando com centenas de regimentos, alvarás e cartas. Todavia, o seu reinado conheceu gravíssimas crises económicas e recorreu-se aos empréstimos externos. Fomes, epidemias e sismos fizeram também a sua aparição frequente.
4- Política cultural: A protecção à cultura foi uma dominante deste monarca. À sombra da corte viveram homens como Gil Vicente, Garcia de Resende, Damião de Góis. A esta época estão ainda ligados nomes como os de Sá de Miranda, Bernardim Ribeiro, André Resende, Diogo de Teive, Pedro Nunes, Camões, João de Castro, João de Ruão e outros ainda. É feita uma reforma da Universidade portuguesa e cria-se um Colégio das Artes.
5- Sucessão ao trono: Apesar da numerosa prole nascida do casamento régio, é o único neto do tronco varonil, D. Sebastião, que irá suceder a D. João III. A morte tinha ceifado todos os filhos do monarca.
6- A figura: D. João III tem merecido juízos discordantes na sua acção governativa. Para alguns foi um fanático, para outros um hábil monarca. É certo que recebeu o império no seu apogeu e o deixou no descalabro, mas para além da sua acção pessoal que não foi brilhante, havia outras causas mais profundas que, de qualquer maneira, produziriam os mesmos efeitos.
Casou-se com a Infanta D. Catarina e tiveram 9 filhos. Quando ainda era príncipe, teve um filho de D. Isabel Moniz.

quinta-feira, agosto 03, 2006

D. Manuel I

D. Manuel I foi o 14.º Rei de Portugal. Reinou de 1495 a 1521 e foi cognominado de "O Venturoso" pelo facto do seu governo ter sido esplendoroso e rico. Nesta época Portugal era a primeira potência naval e comercial da Europa. O acidente que vitimou o herdeiro do trono (D. Afonso) conduziu a que fosse aclamado rei em Alcácer do Sal (27 de Outubro de 1495). Como político, teve sempre em conta o interesse nacional. Recebeu o governo exactamente no momento em que a Nação se preparava para alcançar a mais elevada projecção. Os vinte e seis anos do seu reinado conheceram grande actividade nos domínios da política interna, da política ultramarina e da política externa.
O poder que viera parar às suas mãos era forte, centralizado e o seu governo tendeu abertamente para o absolutismo. Com efeito reuniu cortes logo quando subiu ao trono, em Montemor-o-Novo e só mais três vezes, em 1498, 1499 e 1502, e sempre em Lisboa, o que é significativo. Nas cortes de Montemor-o-Novo, toma medidas no sentido duma centralização mais profunda de toda a administração pública: mandou confirmar todos os privilégios, liberdades e cartas de mercê, pelos principais letrados do reino que elegeu, reforma os tribunais superiores e toma uma política de tolerância em relação aos nobres emigrados por razões políticas e judeus castelhanos que D. João II reduzira à escravatura. Pelo decreto de 1496 obriga todos os judeus que não se quisessem baptizar a abandonar o país no prazo de dez meses, sob pena de confisco e morte. Pela lei de 4 de Maio de 1497, proibiu que se indagasse das crenças dos novos convertidos e, por alvará de 1499, dificulta a saída do reino aos conversos. O objectivo era agradar aos Reis Católicos e ao mesmo tempo, evitar que os judeus continuassem a ser um todo independente dentro do reino. Pelas Ordenações Afonsinas, deixa de reconhecer individualidade jurídica aos Judeus; faz a reforma dos forais, com o fito económico de actualizar os encargos tributários e para eliminar a vida local; em 1502 saiu o regimento dos oficiais das cidades, vilas e lugares (Livro dos Ofícios); em 1509 o das Casas da Índia e Mina e em 1512 saiu o novo regimento de sisas. Por outro lado com D. Manuel inaugura-se o Estado burocrático e mercantilista, mandando cunhar índios, o português ou escudo de prata.
D. Manuel herdou o impulso dos Descobrimentos. Partiu para a Índia (8‑7‑1497) a armada de Vasco da Gama, que chegou a Calecut em 20‑5‑1498. Em 1500 uma armada comandada por Pedro Álvares Cabral, com o objectivo da Índia, rumou intencionalmente (opinião actual) para sudoeste, atingindo terras de Vera Cruz. D. Francisco de Almeida é nomeado vice-rei da Índia, com o plano de manter o monopólio da navegação e do comércio para Portugal, tendo em terra pontos de apoio, para a carga da pimenta e reparação dos barcos. Lançou as bases do futuro "Império", que será obra de Afonso de Albuquerque. Apesar do comércio da pimenta a administração vivia em pleno deficit (dinheiro gasto superfluamente ou em compra de produtos manufacturados e alimentares). Afonso de Albuquerque cria novas fontes de receita, pela conquista de territórios da Índia que pagavam impostos.
D. Manuel soube, em matéria de política externa, usar de grande habilidade e diplomacia. No aspecto cultural, reconheceu o atraso do ensino universitário, mandando promover a reforma da universidade, estabelecendo entre 1500 e 1504 novos planos de estudo e uma nova administração escolar.
Com ele surgiram as Ordenações Manuelinas, que foi a codificação promulgada por D. Manuel I, com o objectivo de substituir as Ordenações Afonsinas. Para explicar esta decisão do Rei apontam-se dois motivos fundamentais: a descoberta da imprensa e a necessidade de correcção e actualização das normas, assim como a modernização do estilo afonsino. Além disso, talvez o monarca tivesse querido acescentar às glórias do seu reinado uma obra legislativa. Em 1514 faz-se a primeira edição completa dos cinco livros das Ordenações Manuelinas. A versão definitiva foi publicada em 1521. Para evitar confusões, a carta régia de 1521 impôs que todos os possuidores de exemplares das ordenações de 1514 as destruíssem no prazo de três meses, ao mesmo tempo que determinou aos concelhos a aquisição de nova edição.
Realizou três casamentos, o primeiro em 1497 com D. Isabel (viúva de D. Afonso), o segundo em 1500 com a infanta D. Maria de Castela e o terceiro em 1518, com D. Leonor, irmã de Carlos V. Do 1º casamento teve 1 filho, que faleceu com menos de 2 anos de idade. Do 2º casamento teve 9 filhos, dos quais saiu o Cardeal Infante D. Henrique que lhe sucedeu na coroa. Do 3º casamento teve 3 filhos.

D. João II

Foi o 13.º Rei e foi cognominado de "O Príncipe Perfeito" por ter sido um Rei que conduziu o seu reino com tanta arte e engenho. Subiu ao trono em 1481, sendo certo que exercia já há alguns anos o poder de facto. Com efeito, as frequentes ausências do reino, por parte de D. Afonso V, põem-lhe nas mãos o governo do país. Governou até 1495.
Desde 1474 que dirigia a política atlântica, devendo-se à sua visão de governante, apesar de não ter ainda vinte anos, a instituição do mare clausum, princípio que estabelecia que o domínio dos mares estava ligado ao seu descobrimento. Na linha dessa política surge o tratado de Toledo de 1480, em que D. João II aceitando a partilha das terras do Atlântico pelo paralelo das Canárias, afasta a concorrência da Espanha em África e protege a mais tarde chamada rota do Cabo. Durante o seu reinado toda a costa ocidental da África foi navegada, dobrou-se o Cabo da Boa Esperança e preparou-se por terra com as viagens de Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva, a viagem de Vasco da Gama à índia, a que o monarca já não assistiria. Em 1494, assina-se o tratado de Tordesilhas, dividindo-se a terra em duas zonas de influência, a atribuir a Portugal e à Espanha. Dentro da zona de influência portuguesa ficava o Brasil, o que permite supor que o monarca tinha conhecimento da existência dessas terras.
No plano interno, a acção de João II orientou-se no sentido da centralização e fortalecimento do poder real, tendo reprimido duramente as conjuras dos nobres e abatido o poder das grandes casas do reino. De 1481 a 1485, são mortos ou presos D. Fernando, duque de Bragança, D. Diogo, duque de Viseu, D. Gutierres Coutinho, D. Pedro de Ataíde, Isaac Abravanel, D. Afonso, conde de Faro, D. Fernão da Silveira, Diogo Lourenço, Afonso Vaz, D. Álvaro, filho do duque de Bragança, Aires Pinto, bacharel João Afonso e José Abravanel. Tinha em grande conta a opinião dos povos, mas o seu conceito da autoridade real leva-o a só reunir cortes quatro vezes, durante o seu reinado. Quanto às relações externas, a sua actividade foi no sentido de criar laços de concórdia com os vários reinos, talvez com o intuito de se libertar de problemas que pusessem em dificuldades a política de expansão ultramarina. Alimentou o sonho de uma futura "monarquia ibérica", tendo conseguido contratar o casamento de seu filho D. Afonso com a primogénita dos Reis Católicos. A morte do infante veio, no entanto, deitar por terra estes planos. Manteve uma actividade diplomática intensa com vários países europeus, sendo de destacar a embaixada de Vasco de Lucena, enviada a Roma em 1485.
A última fase do reinado de D. João II está marcada pelo problema da sucessão do trono. Com a morte do infante D. Afonso, procura o rei habilitar ao trono o bastardo D. Jorge. No seu testamento, todavia, nomeia seu sucessor D. Manuel, irmão da rainha. Morre no Algarve em 1495, aceitando alguns historiadores a hipótese de ter sido envenenado.
Casou com a sua prima, D. Leonor e tiveram 1 filho que faleceu com 16 anos. Teve ainda o tal filho bastardo, D. Jorge, filho de D. Ana de Mendonça. Poderíamos ter tido um D. Jorge I. Seguiu-se um D. Manuel I.

D. Afonso V

O 12.º Rei de Portugal foi D. Afonso V. Conhecido como "O Africano", pelas conquistas que fez no Norte de África, reinou de 1433 a 1481. O seu reinado compreendeu três grandes períodos. O primeiro vai da elevação ao trono (1438) à batalha de Alfarrobeira. D. Duarte confiara por testamento a regência à rainha viúva; mulher e castelhana, era impopular no reino, sendo apoiada por D. Afonso, Duque de Barcelos e pela nobreza nortenha. D. Pedro, Duque de Coimbra, apoiado por seus irmãos e pelas cidades, é eleito regente em Cortes (1439) e mantido no governo quando D. Afonso V atinge a maioridade (1446). Só em 1448 se turvam as relações entre ambos, devido às intrigas do Conde de Barcelos; D. Pedro retira-se para Coimbra e é morto em Alfarrobeira (1449).
A segunda fase caracteriza-se pelos feitos militares de D. Afonso V no Norte de África, que lhe valeram o cognome de Africano: o Rei-cavaleiro conquista Alcácer Ceguer (1458), ataca Tânger (1460, 1462, 1464), toma Arzila (1471) e Larache, juntando ao título de «Rei de Portugal e dos Algarves» o de «aquém e além-mar em África».
O último período é dominado pela política peninsular: vago o trono de Castela pela morte de Henrique IV, Afonso V defende os direitos de sua sobrinha D. Joana, a Beltraneja, com quem celebra esponsais, contra os Reis Católicos. A batalha de Toro é-lhe desfavorável; decide passar a França para obter, nos termos do acordo de 8 de Setembro de 1475, o apoio de Luís XI, que lho recusa, devido à guerra com o duque de Borgonha. Afonso V falha na mediação que tenta entre ambos; de regresso, pensa ir a Jerusalém e abdica, mas reconsidera. E quando Luís XI assina um tratado de amizade com Fernando e Isabel, Afonso V reconhece-Ihes a realeza castelhana pelo tratado de Alcáçovas (1479).
Durante o reinado de Afonso V abranda a descoberta de África (vai-se do Rio do Ouro ao Cabo de Santa Catarina) e o poderio da nobreza põe em perigo a estabilidade do Estado. Afrouxaram as relações com Borgonha e estabeleceram-se contactos com a Bretanha. Floresceram na sua corte Mateus de Pisano, Fernão Lopes, Azurara, Nuno Gonçalves, cardeal Alpedrinha, Vasco Fernandes de Lucena. Surgiram as Ordenações Afonsinas, que são uma colectânea de leis promulgadas por D. Afonso V. Várias vezes as Cortes tinham pedido a D. João I a organização de uma colectânea em que se coordenasse e actualizasse o direito vigente, para a boa fé e fácil administração na justiça. Para levar a cabo essa obra, designou D. Duarte o Doutor Rui Fernandes, que acabaria o trabalho em 1446 em Arruda. Este projecto foi revisto por ordem do infante D. Pedro, que lhe introduziu algumas alterações. As Ordenações encontram-se divididas em cinco livros, talvez à imitação dos Decretais de Gregório IX. Todos os livros são precedidos de preâmbulo, que no primeiro é mais extenso que nos restantes, pois lá narra-se a história da compilação. O livro II ocupa-se dos bens e privilégios da Igreja, dos direitos régios e sua cobrança, da jurisdição dos donatários, das prerrogativas da nobreza e legislação especial para judeus e mouros. O livro IV trata do direito civil. Apesar de ter cinco livros, as Ordenações estavam longe de constituir um sistema completo: no direito privado há institutos que são esquecidos e outros excepcionalmente lembrados. Estas Ordenações não apresentam uma estrutura orgânica comparada à dos códigos modernos. No entanto, não ficaram em desvantagem se comparadas com os outros códigos vigentes na época em outros países. As Ordenações Afonsinas ocupam uma posição destacada na história do direito português: representaram o final da evolução legislativa que vinha desde D. Afonso III, e forneceram as bases das colectâneas seguintes, que se limitaram a actualizá-las.
D. Afonso V casou com a sua prima D. Isabel, e teve 3 filhos. Casou ainda com D. Joana, que era sua prima, mas o casamento nunca se consumou, porque faltou a devida dispensa de impedimento.